Ouvidoria-Geral do Estado: canal de participação popular
25/07/2007 - 00:11:36
Fonte: Portal do Governo do Estado do Piauí
A economista, mestra
em educação e servidora pública Rosário Bezerra fala de seu trabalho à
frente da Ouvidoria-Geral do Estado, da importância da criação desse
órgão pelo governador Wellington Dias e dos programas que são
desenvolvidos pela instituição para uma maior participação popular na
gestão do Governo. Ela faz o relato de um trabalho que legitima a
democracia, com o cidadão acompanhando a execução de políticas
públicas. Leia a entrevista na íntegra.
Portal do Governo - A que se destina o trabalho da Ouvidoria-Geral?
Rosário
Bezerra - A Ouvidoria-Geral foi criada em 2004 como uma gerência
vinculada à Controladoria-Geral do Estado. Na reforma administrativa de
2007, o governador Wellington Dias criou, com base na Lei Complementar
nºo 83, de 12 de abril de 2007, o cargo de Ouvidor-Geral do Estado,
cujo órgão passou a ser vinculado diretamente ao chefe do Poder
Executivo. A principal finalidade da Ouvidoria é criar um canal de
gestão participativa, possibilitando que o cidadão e a cidadã
manifestem sua opinião através de reclamações, solicitações, denúncias,
sugestões e elogios sobre a prestação dos serviços da administração
pública. Através desse canal, a sociedade acompanha a execução de
políticas públicas do governo. Esta participação é no sentido de
melhorar a gestão do governo.
Portal - Que meios a sociedade utiliza para participar desse processo?
Rosário
Bezerra - Temos diversos canais. Estamos disponibilizando o telefone,
que é o 0800 280 5000. A população pode telefonar gratuitamente. Temos
o e-mail, o fax, o site, que está começando a funcionar, e a caixa
postal. Além disso, o atendimento é presencial, as pessoas podem vir
pessoalmente ao prédio da Ouvidoria manifestar sua reclamação, seu
elogio. Estamos prontas para recebê-las.
Portal - Quais têm sido as reclamações do público?
Rosário
Bezerra - Temos vários tipos de reclamações de servidores públicos e da
sociedade em geral. Os servidores públicos querem informações a
respeito de sua vida funcional, uma gratificação que deixou de receber,
uma promoção que deixou de ser incluída no contracheque. A sociedade
tem reclamado de atendimento em hospitais e também quer informações
sobre programas de governo e concursos públicos, quando acontecerão e
quando os aprovados serão chamados. Pessoas também têm reclamado da
situação das estradas em alguns municípios.
Portal - O trabalho da Ouvidoria contribui para a solução desses problemas apontados pela população?
Rosário
Bezerra - Sim. Alguns deles foram solucionados. Pessoas que tiveram
algum benefício retirado de seu contracheque, por exemplo, recorremos à
Diretora de Gestão de Pessoas e foi esclarecido. Às vezes, é apenas uma
questão de preenchimento. Essas pequenas reclamações, do ponto de vista
do servidor público, foram resolvidas.
Portal - Qual o procedimento em caso de reclamação maior?
Rosário
Bezerra - Quando recebemos a manifestação, é preenchido um formulário.
A pessoa se identifica com endereço, telefone, diz o que está querendo,
e a reclamação é encaminhada para o órgão que a pessoa reclama. A
Ouvidoria garante o sigilo do cidadão que não quer se identificar.
Quando o caso precisa de maior apuração, é encaminhado à
Controladoria-Geral do Estado, que é o órgão fiscalizador das ações do
governo. Dependendo da abrangência dessa manifestação, a Controladoria
analisa e encaminhamos para o governador Wellington Dias.
Portal - O trabalho da Ouvidoria-Geral é centralizado ou existe em outros órgãos públicos?
Rosário
Bezerra - Em Teresina, existem 10 ouvidorias funcionando em órgãos
públicos estaduais, como Agespisa, Cepisa, Detran, Hospital de Doenças
Tropicais, Maternidade Dona Evangelina Rosa, Hospital Getúlio Vargas,
Jucepi e outros órgãos. Estes órgãos recebem as manifestações das
pessoas e lá mesmo os problemas são resolvidos. Às vezes, as pessoas
não se dirigem diretamente a esses órgãos e procuram a Ouvidoria-Geral.
Então, recebemos as manifestações que, em seguida, são encaminhadas ao
órgão a que o interessado se refere.
Portal - Existe integração entre a Ouvidoria-Geral do Estado e as demais?
Rosário
Bezerra - Nosso propósito é exatamente integrar as Ouvidorias que já
existem de forma a estabelecer um trabalho conjunto. Para a Ouvidoria
funcionar com eficiência, tem que ter o apoio das outras, num trabalho
integrado, e também de todos os órgãos da administração direta e
indireta. Na medida em que você recebe as reclamações e as repassa para
o órgão, ele também tem o dever de dar a resposta.
Portal - Em que horários o cidadão pode procurar a Ouvidoria-Geral do Estado?
Rosário
Bezerra - O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 18
horas. Recebemos manifestações de todo o Piauí. Vamos participar do
Fórum de Gestores, a ser realizado em 11 territórios do Estado, vamos
divulgar esse trabalho da Ouvidoria. Pediremos apoio dos servidores dos
municípios e dos prefeitos.
Portal - Quais programas previstos pela Ouvidoria para os próximos anos?
Rosário
Bezerra - Vamos desenvolver o Programa Cidadania e Ação, que vai
facilitar o acesso do cidadão aos serviços da Ouvidoria e a comunicação
com o Governo do Estado, através do 0800 280 5000. O Ouvidor Virtual é
outro programa. Pelo site, o cidadão faz reclamações, manifestações e
elogios virtualmente. Teremos, ainda, o Programa Ouvidor Itinerante,
que será feito conjuntamente com o Fórum de Gestores, onde receberemos
manifestações das pessoas nos municípios. A Urna Ouvidora será mais um
programa em locais estratégicos de órgãos públicos, em escolas, e
também em ônibus e outros locais com grande fluxo de pessoas. A equipe
da Ouvidoria também vai ser capacitada para um melhor atendimento ao
público.
Portal - Como foi a sua participação no 3º Encontro Regional de Ouvidorias Públicas, realizado neste mês de julho?
Rosário
Bezerra - Eu tive a satisfação de participar desse encontro regional
promovido pela Ouvidoria-Geral da União, através da Controladoria-Geral
da União, com apoio do Governo do Estado da Bahia. O tema do encontro
foi Construção da Ouvidoria Pública no Brasil. O objetivo é dar
continuidade às ações que já vinham se consolidando antes, a
articulação, o diálogo e a cooperação para o segmento de Ouvidorias
Públicas do País. Então, faz parte de uma programação de outros
encontros regionais já agendados até novembro. O evento também foi
preparatório para o 1º Fórum Internacional de Ouvidorias Públicas, que
acontecerá em 2008. O encontro realizado em Salvador foi um espaço
privilegiado para que o Estado e a sociedade civil vivenciassem o
processo democrático de construção de um modelo de Ouvidoria Pública.
Eu tive o prazer de, primeiro, representar o governador Wellington
Dias, e, depois, falar um pouco da nossa experiência como ouvidora
pública no Piauí. Eu tive participação na mesa e fiz a apresentação de
como está organizada a nossa Ouvidoria, qual é o programa que vai
desenvolver, e também estive com a ouvidora-geral da União, Eliana
Pinto, e com o ouvidor-geral da Bahia, Jones Carvalho, conhecendo o
sistema da Ouvidoria da Bahia. Durante uma manhã, foi demonstrado como
funciona o sistema de Ouvidoria de lá, que está bastante adiantado, mas
se quisermos, ele pode ser compartilhado com a Ouvidoria do Estado do
Piauí. Então, foi uma participação muito proveitosa, e esse encontro
era dirigido aos representantes dos poderes Legislativo, Executivo,
Judiciário, Ministério Público e da sociedade civil organizada do
Estado. Foram mais de 300 participantes no Centro de Convenções da
Bahia, e o Piauí estava não só representando, mas também participando
com a sua exposição sobre a nossa experiência de Ouvidoria. A criação
de Ouvidorias no Brasil legitima a democracia do Estado.
Portal - Como foi a participação do governador Wellington Dias na criação da Ouvidoria-Geral do Estado do Piauí?
Rosário
Bezerra - O governador Wellington Dias foi muito inteligente e muito
sensível ao criar a Ouvidoria-Geral do Estado. Todo governo, para se
legitimar, tem que possibilitar a participação popular e a participação
cidadã. Ao criar a Ouvidoria, o governador Wellington Dias oportunizou
a sociedade um canal de participação, de manifestação, como forma de
acompanhar o governo, de avaliar o governo, no sentido de melhorar a
gestão pública. Ele está legitimando, aperfeiçoando o sistema
democrático do Piauí e brasileiro ao criar a Ouvidoria. Em três meses
de funcionamento dessa Ouvidora, recebemos 27 manifestações, resolvemos
e respondemos a 24 delas. O nosso propósito aqui é não deixar nenhum
cidadão sem resposta. Todos que nos procurarem, queremos dar a
resposta, mesmo que seja não. Porque, às vezes, não é possível aquela
reivindicação. Mas, mesmo assim, temos a obrigação de atender bem, de
ouvir e dizer o que é necessário. Ou seja; o sim, para resolver, ou o
não, quando não for possível a Ouvidoria resolver e nem o Governo do
Estado. Às vezes, as manifestações, as reivindicações podem fugir ao
alcance do Estado.
Portal - Qual o resultado de seu trabalho à frente da Escola de Governo?
Rosário
Bezerra - Nos quase três anos que fiquei à frente da Escola de Governo,
foi um trabalho gratificante. Primeiro, porque conheci a situação do
servidor público estadual do ponto de vista quantitativo e qualitativo,
sabendo as suas necessidades e fragilidades. Trabalhamos, envolvendo
mais de 21 mil servidores na capacitação através de cursos e eventos,
como seminários e Semana do Servidor. Hoje, você tem o perfil do
servidor público do Estado, o perfil das necessidades em termo de
capacitação. Foi um passo muito importante para a qualificação do
servidor e para melhorar a eficiência, a eficácia da gestão pública no
Piauí. Trabalhamos com servidores desde o menos qualificado - que faz
trabalho de serviços gerais, de atendimento - ao mais qualificado,
aquele que tem curso superior. Oferecemos um curso de especialização em
gestão pública, que foi concluído no início deste ano. A pretensão da
Escola de Governo, a partir desta nova administração, é ampliar cada
vez mais cursos de especialização, principalmente nas áreas de gestão
pública e ambiental. Convênio está sendo feito com a Secretaria do Meio
Ambiente e teremos em todos os órgãos da administração direta e
indireta pessoas destinadas a se preocupar com a questão do meio
ambiente. É um programa nacional, a Escola de Governo irá participar da
capacitação de pessoas na área de meio ambiente.
Portal - Quais as vantagens para os servidores que se capacitaram na Escola de Governo?
Rosário
Bezerra - Algumas pessoas que participaram desses cursos da Escola de
Governo foram promovidas, alguns mudaram de sessão, antes realizavam
trabalho “x” e passaram a realizar trabalho que exige um pouco mais.
Houve melhora considerável das pessoas que participaram desses cursos.
A Escola de Governo fez parceiras com algumas entidades, como Senac,
Sebrae, Fundação Jet, e temos parceria institucional com a Escola
Nacional de Administração Fazendária. Fazemos parte do Fórum de Escolas
de Governo do Brasil.
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